Pular para o conteúdo

Como tirar a tornozeleira eletrônica: o que a lei permite e como fazer o pedido

Tornozeleira eletrônica presa ao tornozelo de uma pessoa em casa

Poucas perguntas chegam ao meu escritório com tanta angústia quanto esta: como tirar a tornozeleira eletrônica? Quem me procura já está cansado do horário de recolhimento, da bateria que apita de madrugada, do medo de cometer uma falha e voltar para a cadeia. Eu entendo. A monitoração pesa na rotina, no trabalho e na cabeça. Por isso quero ser clara desde a primeira linha: a tornozeleira não sai porque a pessoa quer, mas existem, sim, caminhos legais para pedir a retirada, e é sobre eles que vou falar aqui.

Sou Natália Emmer, advogada criminalista com atuação em execução penal. Neste texto explico, sem juridiquês, quando dá para requerer a retirada da monitoração, o que você nunca deve fazer e como esse pedido caminha na Justiça.

Antes de qualquer coisa: nunca tente tirar por conta própria

Esse é o alerta mais importante do texto, e faço questão de começar por ele. Romper, cortar ou danificar o equipamento não resolve nada e cria um problema muito maior. Na execução penal, isso é tratado como falta grave, e a consequência costuma ser dura: regressão de regime, perda de dias remidos e, em muitos casos, o retorno para trás das grades.

Já vi pessoas jogarem meses de bom comportamento no lixo por um impulso de uma noite. Se a tornozeleira está incomodando, o caminho não é a tesoura. O caminho é jurídico. A boa notícia é que, quando existe fundamento, esse pedido pode ser feito e apreciado pelo juiz.

Advogada criminalista analisando um processo de execução penal

Quando é possível pedir a retirada da tornozeleira eletrônica

A monitoração não é eterna. Ela sempre está ligada a uma finalidade: substituir uma prisão, acompanhar uma etapa da pena ou garantir uma medida cautelar. Quando essa finalidade se esgota ou deixa de se justificar, a defesa pode requerer a retirada. Na prática, vejo isso acontecer em quatro situações principais.

1. Quando a medida cautelar não é mais necessária

Muita gente usa tornozeleira como alternativa à prisão preventiva, durante o processo. Se os motivos que levaram àquela cautela mudaram, ou se o processo avançou a ponto de a medida não fazer mais sentido, é possível pedir a revogação. Cada caso exige uma leitura própria dos autos, e é aí que a análise de um advogado faz diferença.

2. Na progressão para um regime mais brando

Quem cumpre pena e alcança os requisitos pode avançar de regime. A depender da decisão do juiz da execução, essa mudança altera ou encerra a monitoração. Reuni os detalhes desse benefício na página sobre progressão de regime, mas o ponto aqui é simples: a tornozeleira acompanha a fase da pena, e mudar de fase pode significar tirá-la.

Se você já cumpriu parte da pena e mantém bom comportamento, vale conferir se o seu direito à progressão já está maduro. Muitas vezes ele está, e ninguém pediu.

3. Quando termina o prazo ou a etapa determinada

Em algumas situações o próprio juiz fixa um período de monitoração. Cumprido esse tempo, e cumpridas as condições, a defesa pode requerer o encerramento. O equipamento não cai sozinho: alguém precisa protocolar o pedido e demonstrar que a etapa foi vencida.

4. Em caso de falha sem intenção de burlar

Bateria que descarregou, sinal que falhou, um atraso justificado. Nem todo descumprimento é falta grave. Quando existe uma explicação real, é papel da defesa apresentá-la antes que a situação vire regressão. Se você recebeu uma notificação por causa da tornozeleira, não deixe o prazo correr. Fale comigo o quanto antes para avaliarmos a resposta certa.

Resumo: cada situação, um pedido diferente

Para deixar visual, organizei as hipóteses mais comuns e o que costuma ser possível requerer em cada uma. É um panorama, não uma promessa: o que vale para o seu caso depende da análise dos documentos.

Sua situação hoje O que a defesa pode requerer
Tornozeleira no lugar da prisão preventiva Revogação da medida cautelar quando ela deixa de ser necessária
Cumprindo pena com bom comportamento Progressão de regime, que pode alterar ou encerrar a monitoração
Prazo de monitoração já cumprido Encerramento da medida e retirada do equipamento
Notificação por falha na tornozeleira Defesa demonstrando a ausência de intenção de burlar
Condição de saúde ou trabalho incompatível Revisão das regras junto ao juízo da execução

Como funciona o pedido na prática

Gosto de explicar o caminho para o cliente não ficar no escuro. Em linhas gerais, funciona assim:

  1. Análise do processo. Leio a decisão que impôs a tornozeleira e verifico qual é o fundamento e o momento processual.
  2. Reunião de provas. Comprovante de trabalho, laudos, tempo de pena já cumprido, atestados de bom comportamento. O que sustenta o pedido muda conforme a hipótese.
  3. Protocolo do requerimento. Levo o pedido ao juízo competente, que costuma ser o da execução penal, com os fundamentos legais.
  4. Acompanhamento até a decisão. A defesa se manifesta sobre eventuais exigências e acompanha o andamento até o juiz decidir.

Não existe fórmula mágica nem prazo garantido. O que existe é técnica, documentação bem montada e persistência. É esse trabalho que eu faço.

Dúvidas que quase todo mundo tem sobre a tornozeleira

Quem usa tornozeleira pode sair no fim de semana?

Depende das regras que o juiz fixou no seu caso. Em geral existe um horário de recolhimento e uma área de circulação autorizada. Sair fora disso, inclusive no fim de semana, precisa de autorização prévia. Fazer por conta própria pode ser interpretado como descumprimento. Se a sua rotina de trabalho ou de família não cabe nas regras atuais, dá para pedir a revisão desses limites, e vale tentar pelo caminho certo.

Dá para trabalhar usando a tornozeleira?

Na maioria dos casos, sim. Trabalhar e estudar costumam ser autorizados, dentro dos horários e da área definidos pelo juízo. Inclusive, comprovar ocupação lícita fortalece qualquer pedido de flexibilização ou de retirada mais adiante.

A tornozeleira aperta ou machuca. Isso muda alguma coisa?

Problemas de saúde ligados ao equipamento, quando comprovados, entram como argumento para revisão. Guarde atestados e registre tudo. Documento na mão é o que transforma uma queixa em um pedido que o juiz analisa.

Pessoa olhando pela janela após a retirada da tornozeleira

O ponto que eu quero que você leve deste texto

A tornozeleira eletrônica não é uma sentença dentro da sentença. Ela tem começo, meio e fim, e existe um caminho legal para questioná-la. O erro que mais custa caro é achar que não há nada a fazer, esperar, e deixar passar o momento em que o direito já estava à mão.

Se você ou alguém da sua família está com dúvidas sobre a retirada da tornozeleira, eu posso analisar o caso e dizer, com franqueza, o que é possível. Fale comigo pelo WhatsApp ou veja outras respostas na minha página de perguntas frequentes de direito criminal. O atendimento é sigiloso, e a primeira conversa serve justamente para você entender onde pisa.

Perguntas frequentes

É possível tirar a tornozeleira eletrônica antes do prazo?

Sim, quando existe fundamento legal. A defesa pode requerer a retirada se a medida cautelar deixou de ser necessária, se houve progressão de regime ou se a etapa determinada foi cumprida. Cada caso é analisado a partir dos documentos do processo.

O que acontece se eu romper a tornozeleira?

Romper ou danificar o equipamento é tratado como falta grave na execução penal. As consequências costumam incluir regressão de regime, perda de dias remidos e possível retorno à prisão. O caminho correto é sempre o pedido judicial.

Quem usa tornozeleira pode sair no fim de semana?

Depende das regras fixadas pelo juiz. Normalmente há horário de recolhimento e área de circulação definidos, e sair fora disso exige autorização prévia. Quando a rotina não cabe nas regras atuais, é possível pedir a revisão desses limites.

Preciso de advogado para pedir a retirada da tornozeleira?

O pedido é técnico e depende dos fundamentos certos e da documentação adequada. Um advogado analisa o processo, monta as provas e protocola o requerimento no juízo competente, acompanhando até a decisão.

Quanto tempo demora para tirar a tornozeleira?

Não há prazo fixo. O tempo depende do tipo de pedido, do juízo e da complexidade do caso. Por isso o mais importante é protocolar o requerimento assim que o direito estiver maduro, sem deixar o momento passar.